população de moradores de rua cresceu 60% em sete anos. Em 2008, o IBGE estimou que havia em Curitiba quase 2.800 moradores de rua. Em 2013, movimentos de lutas pelos direitos destas pessoas já falavam em 3.500. Dois anos depois, mais mil moradores de rua vieram engrossar a estatística. Aumento incomparável ao crescimento da população total de Curitiba, que, entre 2008 e 2014, não chegou a 2%.

A Fundação da Ação Social (FAS) estima que menos da metade da população de rua da capital seja de curitibanos. Apesar de a instituição aumentar o número de vagas (em torno de mil leitos) muitos abrigos acordam com camas vazias. Vinculados à fundação, são mantidos os Centros POP, que oferecem serviços aos moradores de rua, geralmente em horário comercial, como alimentação e banho, até a emissão de novos documentos (quando perdidos) e encaminhamentos para empregos.

Reclamação

Os moradores reclamam da burocracia e de violência física, visual, moral e sexual por parte de guardas municipais, funcionários ou dos próprios usuários dos abrigos. Dizem que são atentados à dignidade, que os fazem desistir da procura por camas quentes. Outra reclamação é que só consegue vaga nos albergues quem passa por um dos Centros POP. “Temos que frequentar todas as quartas-feiras e ficar lá no mínimo até meio-dia.

Depois disso geram uma lista com os nomes das pessoas que cumpriram esta etapa, para que entrem no abrigo à noite. Às vezes não te deixam entrar, só porque o funcionário não vai com a sua cara”, disse Vilmar Rodrigues, 46 anos, o “Paulista”.

“Também há fila das vagas avulsas, de quem não frequentam o Centro POP. Porém quase nenhuma delas consegue entrar, mesmo aquelas que já tinham cadastro na FAS e há anos usavam o espaço. No último dia 9, suspenderam as vagas avulsas. Pedi que não fizessem isso até acabar o inverno. Às vezes tem idosos ou doentes nas filas que ficam de fora.”, lamentou Vilmar.

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